Um pedido de vista do líder da oposição adiou a votação no Conselho de Ética da Câmara sobre as representações que apontam quebra de decoro por parte dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcel Van Hattem (Novo-RS). O colegiado investiga a ocupação da mesa diretora durante ato em agosto, quando os parlamentares impediram o presidente da Casa, Hugo Motta, de reassumir seu lugar no plenário.

O relator, deputado Moses Rodrigues (União Brasil-CE), votou pela suspensão dos mandatos por dois meses aos três parlamentares envolvidos. Pollon responde ainda a um segundo processo, com relatório do deputado Ricardo Maia (MDB-BA) que recomenda 90 dias de suspensão, e é acusado também de xingamentos pessoais contra Hugo Motta durante a ocupação. O pedido de vista foi apresentado por Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e transferiu a decisão para a próxima semana.

O adiamento tem efeito prático imediato: afasta por ora uma definição que poderia cristalizar um custo político para os envolvidos e para seus partidos. Ao mesmo tempo, postergar a deliberação mantém a pressão sobre a Mesa Diretora e sobre o próprio Conselho, que precisa equilibrar a exigência de reagir a ações que atentam contra os ritos parlamentares e a relevância política dos acusados.

A próxima sessão será um termômetro para a Câmara: aprovar suspensões dará sinal de tolerância zero a ocupações como instrumento de chantagem política; rejeitá‑las ou protelá‑las poderá ser interpretado como permissividade que amplia o desgaste institucional. O colegiado terá de optar entre uma resposta sancionadora rápida ou uma saída que preserve margem política para os partidos envolvidos.