O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decide nesta sexta-feira se reúne elementos suficientes para abrir investigação sobre a atuação do procurador‑geral da República, Paulo Gonet, nas apurações relacionadas ao Banco Master. A análise foi provocada pela divulgação de mensagens atribuídas ao ex‑banqueiro Daniel Vorcaro nas quais o nome de Gonet aparece.

Com o impedimento do procurador‑geral, a sessão é conduzida pelo vice‑presidente do Conselho, Nicolao Dino. O relator, subprocurador‑geral Francisco Sanseverino, fará a exposição do procedimento, apresentará as acusações e a defesa de Gonet antes de formular seu voto. A decisão final cabe aos demais conselheiros, em votação por maioria absoluta.

Nove integrantes do colegiado poderão votar sobre o prosseguimento do caso. O colegiado tem três possibilidades: arquivar o procedimento por insuficiência de elementos, determinar a abertura de investigação — com a eventual designação de um subprocurador para conduzi‑la — ou ter a análise adiada se algum conselheiro pedir vista do processo.

Além do desfecho processual, está em jogo a percepção sobre a imparcialidade do MPF e a gestão do próprio procurador‑geral em assuntos que envolvem a instituição. A combinação do impedimento de Gonet, do caráter sensível das mensagens e da condução pelo vice‑presidente pode gerar questionamentos políticos e institucionais, dependendo do resultado da votação.

Se o Conselho autorizar novas apurações, os conselheiros também poderão debater se Gonet deve ser afastado temporariamente das questões ligadas ao Banco Master enquanto a investigação estiver em curso. O CSMPF pode ainda interromper a sessão para vista, o que adiaria qualquer conclusão até nova reunião.