O Conselho Superior do Ministério Público Federal decidiu nesta sexta-feira por não abrir investigação preliminar sobre o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, em apuração relacionada ao Banco Master. O placar, apertado, foi de 3 a 2, sinalizando uma divisão interna sobre a necessidade de uma apuração imediata sobre possíveis vínculos entre o PGR e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre os elementos avaliados estavam mensagens atribuídas a Vorcaro, uma fotografia em que Gonet e o banqueiro aparecem juntos, participação do procurador em evento em Londres e uma ligação telefônica envolvendo o advogado Ciro Soares. Dois conselheiros defenderam que esses fatos exigem apuração preliminar e que Gonet deveria ter se declarado impedido por ser mencionado nos autos; a maioria entendeu, porém, que os elementos nos autos não comprovam relação íntima nem indícios mínimos de favorecimento que justificassem abrir procedimento.
A votação evita, por ora, um inquérito interno contra o chefe do Ministério Público, mas não encerra politicamente a questão. A divisão no colegiado acende alerta sobre a percepção de imparcialidade da instituição e amplia desgaste para o PGR, que já aparece nas conversas que embasam a notícia‑crime protocolada pelo partido Novo. Para adversários e para setores críticos, o resultado pode ser lido como sinal de fragilidade institucional e motivo para novas pressões por esclarecimentos.
Do ponto de vista institucional, o episódio deixa duas consequências claras: reduz a probabilidade de uma investigação imediata, mas mantém o tema vivo para reavaliação caso surjam novas provas; e cria custo político para a imagem do MPF diante de atores públicos e eleitorais. Em ano pré‑eleitoral, a discussão sobre conflitos de interesse e conduta de autoridades tende a ganhar relevo, e a decisão do CSMPF complica a narrativa de autoridade incorrupta que o órgão precisa sustentar.