O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou, nesta sexta, maioria de 5 a 4 para não instaurar investigação sobre a atuação do procurador‑geral da República, Paulo Gonet, nas apurações relacionadas ao Banco Master. O voto de minerva foi do subprocurador Nicolao Dino de Castro, irmão do ministro Flávio Dino, do STF, e o colegiado decidiu também, por unanimidade, manter Gonet à frente das investigações.
A movimentação no conselho decorreu de notícia de fato apresentada pelo partido Novo, após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex‑banqueiro Daniel Vorcaro em que o nome do PGR aparece. A conselheira Janice Agostinho foi a primeira a defender abertura de um procedimento preliminar para apurar eventuais vínculos. No entanto, o relator Francisco Sanseverino e outros quatro membros entenderam que não havia elementos mínimos de materialidade e autoria para iniciar investigação criminal.
O placar apertado expõe uma divisão interna e acende alerta sobre o custo político e institucional desse episódio. Embora a decisão encerre a questão formalmente, a margem estreita tende a alimentar questionamentos sobre a percepção de independência do MPF e dar munição a opositores e críticos que pedem transparência sobre as relações citadas nas mensagens.
Na prática, a manutenção de Gonet à frente das apurações assegura continuidade técnica, mas não apaga o efeito político do debate. A leitura mais provável é que a decisão alivie desgaste imediato, ao mesmo tempo em que amplia a pressão por esclarecimentos públicos e reforça a vigilância parlamentar e da sociedade sobre o caso.