Documentos tornados públicos após a quebra de sigilo determinada pelo ministro André Mendonça revelam que o Banco Master firmou contrato com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados — identificado como ligado à esposa do ministro Moraes — para prestação de serviços jurídicos ao longo de três anos.

O instrumento prevê atuação em cinco núcleos estratégicos, com serviços consultivos, contenciosos e implementação de programa de integridade. Entre as atividades descritas estão acompanhamento de investigações e inquéritos, representações em processos administrativos e judiciais, e interlocução perante órgãos como Banco Central, Receita Federal e Cade.

A cláusula de honorários estabelece 36 parcelas mensais e sucessivas de R$ 3 milhões líquidos. Com tributos de 17,73% incidentes, o valor bruto mensal previsto é de R$ 3.646.529,77. Somadas as parcelas, o contrato alcança R$ 108 milhões líquidos e cerca de R$ 131,3 milhões em valores brutos.

Além do montante, o documento prevê extensão dos serviços a sócios e acionistas controladores, o que amplia o alcance do acordo. A divulgação coloca em foco a percepção pública sobre vínculos entre membros do Judiciário e prestadores privados, levantando questionamentos sobre necessidade de esclarecimentos e reforçando a demanda por transparência institucional.