O contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados previa atuação em procedimentos e inquéritos conduzidos pelas polícias Federal e Civil e representação em processos judiciais "em todas as instâncias do Poder Judiciário". O documento estipulava pagamento de R$ 3 milhões líquidos por mês durante três anos — total de R$ 108 milhões se integralmente executado — e detalhava atuação também perante Banco Central, Receita Federal e Cade.

Além da defesa contenciosa, o instrumento traçava a organização e coordenação de cinco núcleos de atuação "estratégica, consultiva e contenciosa" para operar diante do Judiciário, Ministério Público, polícia judiciária e órgãos do Executivo, incluindo acompanhamento de projetos de lei. A cláusula 3 estendia o objeto contratual a sócios e acionistas controladores do banco. O pacote previa ainda serviços de compliance: mapeamento de riscos, código de ética, canais de denúncia e medidas para "imediata interrupção de irregularidades".

O próprio contrato, porém, não comprova atuação concreta do escritório em inquéritos específicos — para isso seriam necessários procurações, petições e registros formais de representação. Mesmo assim, o teor do acordo levanta questões sobre percepção de conflito de interesse e impõe um desafio de transparência, considerando-se o vínculo entre a banca e Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Politicamente, a divulgação do instrumento acende alerta: expõe contradição entre o alcance do serviço contratado e a necessidade de clareza sobre limites éticos. O caso complica a narrativa oficial e aumenta a pressão por esclarecimentos públicos — tanto por parte do banco quanto do escritório de advocacia — para afastar dúvidas sobre eventual influência entre esfera privada e decisões institucionais.