O contrato assinado pelo Banco Master com o escritório Barci de Moraes descreve uma estrutura de atuação que vai além da advocacia tradicional: o documento organiza cinco núcleos de trabalho — Judiciário, Ministério Público, Polícia Judiciária, órgãos do Executivo e Legislativo — com caráter "estratégico, consultivo e contencioso". Na área policial, o acordo prevê consultoria e atuação em procedimentos e inquéritos na Polícia Federal e nas polícias civis, inclusive com apresentação de peças, defesa e recursos.

No núcleo do Executivo o contrato cita nominalmente quatro órgãos: Banco Central, Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A menção explícita ao Banco Central é relevante diante da natureza regulatória da instituição sobre o setor financeiro e chama atenção para a amplitude dos serviços previstos.

O documento também inclui acompanhamento de projetos de lei no Legislativo, sem detalhar quais propostas seriam monitoradas, e prevê atuação perante o Ministério Público e em "todas as instâncias do Poder Judiciário". A extensão dos serviços aos sócios e acionistas controladores do contratante amplia o escopo do trabalho previsto, sem, porém, explicitar limites ou critérios para essa abrangência.

Para executar a estrutura contratada, o Master se comprometeu a pagar 36 parcelas de R$ 3 milhões líquidos — totalizando R$ 108 milhões —, com cada mensalidade fixada em R$ 3,646 milhão na cifra bruta. O valor e a abrangência dos núcleos acendem alerta sobre o custo e o impacto político-institucional do acordo, levantando questões de transparência e de eventual percepção de conflito de interesses, ainda que o contrato não afirme qualquer irregularidade.