A pouco mais de duas semanas do primeiro turno de 2026, as doações de pessoas físicas registradas no sistema DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral somam R$ 423 milhões, conforme atualização de 18/9. O total reúne transferências a partidos e a candidatos em todo o país e fornece um retrato do fluxo de recursos privados no período decisivo da campanha.
O ranking de maiores doadores é liderado por Carlos Suarez, conhecido como 'Rei do Gás', com R$ 5,7 milhões destinados a legendas e postulantes. Entre as siglas que receberam R$ 1 milhão cada estão MDB, União Brasil, PSDB, PP e PSD; Suarez também enviou recursos ao PSB e a candidatos a deputado estadual no Rio Grande do Sul. Na sequência aparecem Alexandre Grendene (R$ 3,7 milhões), Rubens Ometto (R$ 3,2 milhões), Robert Carlos Lyra (R$ 2,6 milhões) e Pedro Grendene (R$ 2,4 milhões).
A origem dos recursos concentra nomes ligados a setores estratégicos: Suarez atua no segmento de gás, com participação em empresas como Termogás, TGBC, Cigás e CS Energia; Grendene é ligado ao setor de calçados; Ometto preside o conselho da Cosan; Lyra comanda a Delta Sucroenergia. As doações mostram distribuição a candidatos estaduais, federais e a chapas majoritárias em estados como Ceará, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Do ponto de vista político, a lista evidencia duas linhas de impacto: a presença de grandes empresários que financiam nomes em partidos distintos e a concentração de recursos em setores com interesses regulatórios. Os cinco maiores doadores somam cerca de R$ 17,6 milhões — aproximadamente 4,2% do total registrado — o que sinaliza que um pequeno grupo mobiliza fatias relevantes em momentos-chave. A movimentação acende alerta sobre a necessidade de transparência e reforça o debate sobre influência privada na agenda pública às vésperas do primeiro turno.