Começam nesta segunda-feira (20/7) as convenções partidárias que vão formalizar candidaturas para a disputa de 2026. É nessa etapa que pré-candidatos se transformam em candidatos registrados pelos partidos, que também podem deliberar sobre coligações e atribuição dos números de urna. As convenções, que podem ocorrer de forma presencial, virtual ou híbrida, se estendem até 5 de agosto — marco que antecede o prazo final para solicitações de registro na Justiça Eleitoral.

A legislação eleitoral e normas do TSE determinam procedimentos formais: ata com os nomes aprovados, lista de presença divulgada na plataforma apropriada e o envio dos documentos à Justiça até o dia seguinte ao evento. As siglas devem observar também a regra de gênero — mínimo de 30% e máximo de 70% de candidaturas de cada sexo nas disputas proporcionais — e garantir que seus órgãos de direção estejam regularmente constituídos perante o tribunal regional. Em prática, quem falhar nesses requisitos corre o risco de ter candidaturas indeferidas ou sofrer questionamentos judiciais.

Além do aspecto técnico, as convenções são um termômetro político. A janela de duas semanas pressiona legendas a resolver disputas internas, fechar acordos e calibrar estratégias de campanha com pouco espaço para erros burocráticos. Federações, que atuam de maneira conjunta por ao menos quatro anos, concentram negociações em convenção única — decisão que pode facilitar coordenação, mas também ampliar o custo político de eventuais concessões entre siglas. Erros organizacionais ou rachas internos têm custo direto: atrasos, recursos eleitorais mal aplicados e desgaste público.

Com o calendário na agenda, resta às direções partidárias transformar deliberações em mobilização eficiente: registrar candidatos até 16 de agosto, após o que a campanha oficial começa em 17 de agosto. Antes das convenções, filiados podem fazer propaganda interna para angariar apoio dos convencionais; depois, a transparência nas atas e listas será essencial para reduzir contestações. As convenções desenharão o mapa das alianças e a disposição do eleitorado em um retrato momentâneo — relevante politicamente, mas longe de selar destinos eleitorais.