A prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin desencadeou reação imediata da coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro e de deputados aliados. O senador Rogério Marinho classificou a medida como uma intervenção do Supremo e pediu que o “bom senso” impeça que manobras judiciais prejudiquem a democracia, enquanto parlamentares da base passaram a protocolar ou anunciar pedidos de impeachment contra o ministro.
A decisão de Zanin atendeu a uma ação da coligação Brasil Pronto Pra Mais, que representa o presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva e o vice Geraldo Alckmin. A peça alegou problemas no transporte público em diversas regiões, com frota insuficiente para levar eleitores até as seções. Registrada no sistema do STF após as 17h — horário previsto para o fechamento das urnas —, a determinação prorrogou o funcionamento das seções ainda ativas até as 19h e suspendeu, para essas seções, o início imediato da totalização de votos; as urnas já fechadas devem ser apuradas normalmente.
A reação bolsonarista rapidamente transformou a medida em matéria política: o deputado Marcel van Hattem afirmou que iria protocolar impeachment por atuação que considera fora de competência, e o deputado Jorge Seif questionou nas redes por que o Supremo agiu em lugar do Tribunal Superior Eleitoral. O episódio acende alerta sobre o aumento da tensão entre poderes no dia da eleição e amplia desgaste político ao colocar o Judiciário no centro de uma disputa que, até então, obedecia canais eleitorais previstos.
Do ponto de vista institucional, a decisão expõe uma falha de previsibilidade no calendário do pleito e abre espaço para disputas que vão além da legalidade técnica — passam a ser usadas como munição política. A curto prazo, a situação tende a polarizar ainda mais as avaliações sobre a condução do processo eleitoral e a complicar a narrativa de ambos os lados, que já usam fatos do dia da votação para reforçar alegações de prejuízo ou de defesa da legitimidade.