O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, intensificou a cobrança para que o Tribunal Superior Eleitoral transforme em julgamento coletivo a controvérsia envolvendo o canal de WhatsApp 'Exército do Lula', relacionado à campanha de reeleição do presidente. Em nova determinação, Cueva notificou o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, pedindo providências para submeter o tema ao plenário com caráter de urgência.
A disputa ganhou velocidade no fim de semana: no domingo (11/10) Nunes Marques ordenou a retirada do canal; no mesmo dia, o corregedor suspendeu essa ordem e mandou o restabelecimento até que o colegiado deliberasse. No dia 13, o presidente do TSE condicionou a continuidade da página ao registro pela campanha junto à Justiça Eleitoral, passou a enquadrar o espaço como meio de propaganda eleitoral e autorizou seu retorno após um prazo de 48 horas, mas ainda não agendou exame em plenário.
Na avaliação de Cueva, a sucessão de decisões individuais deixou de ser apenas uma discussão sobre a manutenção do canal e passou a tocar o cerne das atribuições da Presidência e da Corregedoria. Segundo o corregedor, a ausência de definição colegiada tende a ampliar divergências internas e a comprometer a atuação coordenada da Justiça Eleitoral — problema que, diante da proximidade do segundo turno, requer solução em tempo hábil para evitar insegurança jurídica.
A pressão de Cueva aponta para um risco institucional: decisões fragmentadas podem gerar tratamento desigual de meios de comunicação e mensagens políticas, além de expor o tribunal a críticas sobre falta de critérios consistentes. Se Nunes Marques não levar o caso ao plenário rapidamente, a Corte corre o risco de ver sua capacidade de definir limites e uniformizar práticas processuais ainda mais contestada, com impacto direto na credibilidade do processo eleitoral.