A temporada de convenções partidárias que define as candidaturas e alianças para as eleições de 2026 entrou em sua fase decisiva com prazos apertados — as candidaturas precisam ser confirmadas até 5 de agosto — e um clima de securitização que passa também pela agenda eleitoral. Partidos e postulantes se apressam para fechar chapas e consolidar coligações, mas a largada formal da disputa já registra movimentações que alteram a logística e a narrativa de campanha.
No plano estadual, o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) anunciou em 20 de julho a pré-candidatura ao governo de Minas Gerais, anunciada nas redes sociais após reunião com a direção do PT no estado. A candidatura ainda precisa ser ratificada na convenção do partido, prevista para 31 de julho. A escolha de Patrus, veterano de gestões municipais e de ministérios no governo petista, veio depois de fracassadas tentativas do presidente Lula de trazer Rodrigo Pacheco para a disputa — Pacheco anunciou em maio que deixará a política ao término do mandato no Senado — e de outras costuras internas, como a recusa de Marília Campos em migrar do projeto ao Senado para o governo.
No plano nacional, a Polícia Federal começou, também em 20 de julho, a operacionalizar um esquema de proteção a candidatos à Presidência cujas candidaturas estejam homologadas e tenham feito solicitação formal. O serviço, que pode mobilizar até 458 policiais especializados em proteção de autoridades, passou a ser considerado necessário por alguns postulantes diante do aumento percebido de riscos durante a pré-campanha. O pequeno partido Missão antecipou sua convenção para oficializar a candidatura de Renan Santos — coordenador do MBL — alegando ameaças, medida que lhe garante o direito de pedir escolta federal. Governadores como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) também manifestaram interesse; Lula manterá segurança compartilhada entre PF e GSI por ocupar o cargo; o senador Flávio Bolsonaro optou por permanecer sob proteção da Polícia Legislativa do Senado.
A combinação entre aceleração das convenções e a oferta de escolta institucional tem efeitos práticos e políticos. Do ponto de vista operacional, impõe nova rotina de protocolos e divisões de agenda para candidaturas que passarem a depender de segurança federal; do ponto de vista político, a necessidade de proteção pública é sintoma de polarização e eleva o custo simbólico das campanhas. Para o campo governista, a ratificação de nomes como o de Patrus será testada pela capacidade de articulação local e pela leitura de um eleitorado que ainda reage à escolha imposta pela cúpula. Para a oposição e candidaturas menores, a proteção pode ser ao mesmo tempo reivindicação legítima e recurso de legitimação — o que abre espaço para disputas pela narrativa de vítima e por visibilidade. Em suma: a largada da corrida ao Planalto já não é apenas de alianças e programas, mas também de controle de risco e estratégia de exposição pública.