A Corte de Cassação da Itália anulou a extradição de Carla Zambelli — condenada no Brasil por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça — e a ex-deputada foi colocada em liberdade em Roma. Em vídeos nas redes, ela aparece ao lado do marido, o coronel Aginaldo de Oliveira, e do advogado Pieremilio Sammarco, que a representou na Itália.

Do ponto de vista processual, a decisão da instância máxima italiana frustra momentaneamente o pedido de transferência: o ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, tem prazo de 45 dias para se manifestar sobre o acórdão. A Advocacia‑Geral da União informou que acompanhará o trâmite, que agora mistura questões jurídicas com reflexos diplomáticos e políticos.

No Brasil, Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos por invasão do CNJ e inserção de documentos falsos — inclusive uma ordem fictícia envolvendo o ministro Alexandre de Moraes — e a outros 5 anos e 3 meses por ameaça, em episódio eleitoral de 2022. Ela deixou o país após a primeira condenação, foi detida na Itália e recorria das decisões que favoravam a extradição. O hacker Walter Delgatti, coacusado, já cumpria pena e passou a regime semiaberto.

A reviravolta na Cassação amplia o debate sobre cooperação jurídica internacional e acende alerta político: autoridades brasileiras obtiveram decisões de apelação favoráveis na Itália, mas a reversão na instância máxima dá à defesa margem para reforçar a narrativa de perseguição. O caso tende a pressionar a coordenação entre Justiça, governo e diplomacia, com potencial de repercussão na cena política.