A Suprema Corte de Cassação de Roma anulou nesta sexta a decisão de extradição de Carla Zambelli e determinou sua libertação imediata, segundo confirmação do advogado da defesa à BBC News Brasil. A reversão ocorre depois de uma ordem da Corte de Apelação de Roma, em março, que havia autorizado a transferência para o Brasil; a defesa recorreu e obteve novo entendimento na última instância italiana.

O pedido de extradição foi apresentado pelo governo brasileiro em junho de 2025, após a fuga de Zambelli para a Itália em sequência da condenação no Supremo Tribunal Federal por envolvimento na invasão do sistema do CNJ, atribuída ao hacker Walter Delgatti. Ela passou a constar na lista vermelha da Interpol e foi presa na Itália em 29 de julho, por meio de cooperação entre Polícia Federal, Interpol e autoridades italianas. Há ainda outro pedido de extradição pendente relativo a um episódio em São Paulo, envolvendo porte de arma e perseguição.

A decisão da Corte de Cassação não encerra o tema: o acórdão será enviado ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que tem a palavra final sobre a entrega. Jurídica e diplomaticamente, trata‑se de uma etapa distinta do julgamento de mérito no Brasil — mas, na prática, a nulidade da ordem de extradição impede, por enquanto, o repatriamento e impõe nova rodada de avaliações entre autoridades e consulados.

Politicamente, o resultado representa um revés para o governo que pediu a extradição e abre espaço para que a defesa explore a narrativa de perseguição, tema que Zambelli já vinha usando. A decisão italiana cria incerteza sobre prazos e custo político da operação e pode reverberar no debate público sobre segurança jurídica e execução de penas. Resta agora aguardar o posicionamento de Roma e o desenlace das tratativas bilaterais — fatores que definirão se a ação do Estado brasileiro alcançará o objetivo de trazer a ex‑deputada de volta ao país.