A CPI do Crime Organizado rejeitou nesta terça-feira (14/4) o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O parecer foi derrotado por 6 votos contrários e 4 favoráveis, encerrando os trabalhos do colegiado sem a aprovação de um documento conclusivo que levasse a indiciamentos.

A votação ocorreu depois de alteração na composição da comissão, com a entrada de parlamentares alinhados ao governo nas vagas de titulares. A orientação da base governista pela rejeição foi apontada como decisiva para o resultado, evidenciando a capacidade política de controlar o desfecho de investigações sensíveis.

O parecer de Vieira propunha o indiciamento, por crimes de responsabilidade, dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Incluía também propostas legislativas — como a criação de um Ministério da Segurança Pública, nova intervenção federal no Rio e medidas para ampliar controle de fluxos financeiros — e tratava das relações atribuídas ao caso do Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O relatório provocou reação marcada do Supremo: ministros classificaram o texto como sem base legal e alertaram para riscos de uso político com repercussões eleitorais. Com a rejeição e a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de não autorizar prorrogação, a CPI encerra-se após quatro meses sem produzir um veredito final, levantando dúvidas sobre a eficácia de comissões parlamentares quando sua composição é submetida a rearranjos partidários e institucionais.