O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou ter recolhido as assinaturas necessárias para solicitar a prorrogação dos trabalhos da comissão. Instalada em novembro, a CPI vê no pedido a oportunidade de concluir diligências e consolidar a análise documental antes de apresentar o relatório final.

O prazo inicial da comissão vence em 14 de abril, e a extensão pleiteada é de 60 dias. A decisão sobre a continuidade ficará a cargo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que terá de avaliar o pedido em meio a pressões políticas e institucionais que cercam a pauta.

O relator afirmou ter reunido as assinaturas necessárias para pedir a prorrogação dos trabalhos da CPI.

No curto calendário de trabalho restante a comissão tem ao menos quatro oitivas previstas nesta semana. Entre os convocados está o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, cuja presença chega condicionada a um habeas corpus concedido pelo ministro do STF André Mendonça, medida que limita o poder de comparecimento do colegiado.

Também estão marcadas entrevistas com integrantes do setor financeiro: o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — que já obteve habeas corpus anteriormente — e o atual chefe da instituição, Gabriel Galípolo, chamado na condição de convidado. A série de convocações evidencia a complexidade das apurações e o volume de material a ser tratado.

A movimentação para prorrogar os trabalhos tem efeito político imediato: amplia desgaste para agentes públicos que forem alvo de questionamentos e força o Senado a escolher entre estender a investigação ou encurtar o cronograma. Há, por outro lado, limites práticos impostos por decisões judiciais que podem reduzir a eficácia de algumas oitivas.

A decisão sobre a extensão ficará a cargo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Se acatada, a prorrogação dará à CPI mais tempo para consolidar provas e formatar recomendações, mas também prolongará a exposição política de figuras citadas nas investigações. Resta saber como Alcolumbre calibrará a decisão diante do impacto institucional e do custo político que a extensão pode gerar.