O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), anunciou que o pedido para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro já alcançou a marca de 100 assinaturas — 85 deputados e 15 senadores. Para sair do papel, a comissão precisa de ao menos 171 deputados e 27 senadores, soma que totaliza 198 apoios necessários antes de ser encaminhada ao presidente do Senado.

Segundo Uczai, as assinaturas reunidas até agora vêm de parlamentares filiados ao PT e a partidos da base, como PCdoB, PSol, PSD, MDB, PDB e Podemos; nenhum dos signatários é da bancada de oposição. O líder petista afirmou ainda que pretende solicitar ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que, alcançado o quórum, a instalação dessa CPMI e de outra proposta pelo bloco adversário tenham prioridade na lista de requerimentos pendentes.

A oposição, por sua vez, faz a coleta de apoios para uma CPMI que mira Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), com foco em possíveis práticas de tráfico de influência, favorecimento indevido, conflitos de interesse e uso da estrutura pública em benefício privado. Em um gesto raro de reciprocidade, Uczai e líderes petistas no Senado — entre eles Teresa Leitão (PT-PE) e Camilo Santana (PT-CE) — assinaram também o requerimento apresentado pela direita.

No plano jurídico, a comissão proposta pelo governo pretende aprofundar apurações já em curso: investigam-se vínculos de Flávio Bolsonaro com o caso do Banco Master e com o esquema de descontos irregulares no INSS. O senador responde a duas investigações no Supremo Tribunal Federal, relatadas pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes; a Polícia Federal, em termos que os inquéritos tratam como indício, identificou movimentações e custos de viagens por empresas ligadas a um advogado investigado, o que alimenta o pedido de investigação parlamentar.

Politicamente, o avanço das assinaturas acende um sinal de alerta para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro e pressiona a direita a decidir se assume postura conflituosa ou cooperativa diante da proposta do PT. A estratégia de pedir prioridade na instalação das CPMIs pode transformar o tema em disputa aberta em Brasília, com impacto direto na agenda legislativa e no calendário eleitoral. Trata-se, neste momento, de um retrato da capacidade de mobilização das bancadas — o desfecho depende agora de quantos parlamentares a mais serão convencidos a subscrever os requerimentos e da decisão do comando do Congresso sobre sua tramitação.