O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), entregou ao Supremo Tribunal Federal o relatório final da comissão — documento de mais de 4 mil páginas com 216 indiciados. A comitiva, que incluiu o relator parlamentar, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), foi recebida pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A comissão foi encerrada em 28 de março, após o parecer ter sido derrubado pela base governista por 19 votos a 12.
A entrega desloca a disputa do plenário para a esfera judicial. Mendonça afirmou que o parecer será anexado a inquéritos já em curso e passará por checagens de órgãos federais. O documento cita personagens com perfil político alto — entre eles Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — e, em outra versão não votada, nomes associados à base, inclusive Jair Bolsonaro, chegaram a ser mencionados. A rejeição parlamentar expõe, em termos políticos, uma tentativa de contornar ou limitar o alcance das investigações.
Do ponto de vista institucional, a estratégia oposicionista foi clara: transformar a CPMI em fonte de provas para o Judiciário. Para a base governista, a derrubada do relatório sinalizou resistência ao enquadramento proposto pelos opositores. O senador Viana afirmou que as apurações tendem a se estender e que novas prisões e convocações são prováveis; cabe agora à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao próprio STF dar sequência aos elementos levantados.
O episódio amplia a judicialização de um tema com impacto político direto e de médio prazo. Relatório volumoso e com centenas de indiciamentos tende a prolongar a disputa e a produzir efeitos eleitorais e reputacionais nos meses que antecedem 2026. Resta acompanhar se a tramitação no Judiciário resultará em desdobramentos concretos ou em mais desgaste político sem resoluções rápidas.