A menos de seis meses do primeiro turno, a leitura do CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, reforça um cenário eleitoral marcado por forte polarização entre o atual presidente e o campo bolsonarista — agora fortemente representado pelo senador Flávio Bolsonaro. Em participação no podcast do Correio, Tokarski avaliou que há simultaneamente um traço de previsibilidade — a provável presença de Lula e de Flávio nas fases decisivas — e uma incerteza sobre o desfecho, que permanece aberto na fotografia atual das pesquisas.
O ponto mais saliente, segundo o especialista, é a rapidez com que o eleitorado migrou em direção ao filho do ex-presidente. Não se trata, na avaliação dele, de um deslocamento lento e gradual: o movimento foi abrupto e acelerado, o que altera rapidamente o tabuleiro eleitoral. Ainda assim, Tokarski ponderou que parte desse apoio pode ser revisto ao longo da campanha, na medida em que aumente a associação entre a imagem do candidato e as condenações sofridas por Jair Bolsonaro — um elemento que tem custo político e eleitoral concreto.
Outro traço destaque no diagnóstico da Nexus é o elevado nível de rejeição tanto a Lula quanto a Flávio, o que transforma a escolha de voto em ato defensivo para parcela relevante do eleitorado: muitos eleitores optam mais por impedir o adversário do que por votar afirmativamente em um projeto. Esse comportamento reforça a dificuldade de uma terceira via se consolidar — o baixo reconhecimento de nomes alternativos não significa viabilidade real, mas sim desconhecimento e, em regra, limitada capacidade de conversão em votos decisivos.
As implicações políticas são claras. Para o campo governista, a emergência rápida de Flávio amplia o desafio de reduzir rejeição e de controlar narrativa; para a oposição e para os candidatos fora do eixo, a pressão é para demonstrar viabilidade sem depender apenas do desgaste do adversário. No plano estadual, a fluidez do cenário explica decisões como a de Ratinho Júnior, que abriu mão da candidatura presidencial para proteger espaço no Paraná, e mantém em aberto disputas locais, como a observada em Minas. A pesquisa funciona, assim, como retrato do momento — e como sinal de que ajustes estratégicos são urgentes até o primeiro turno.