Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmam que a entrada da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) na disputa presidencial deu novo fôlego à imagem do candidato em levantamentos internos — os chamados trackings. Segundo assessores ouvidos pela reportagem, os números mostram uma melhora relativa frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda sem apontar virada, mas suficiente para alterar o clima da campanha.
Além da reaproximação com Michelle, interlocutores de Flávio citam como fator o reaparecimento de notícias sobre suposto esquema de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís, filho de Lula, e a lobista Roberta Luchsinger. Na avaliação das fontes, a combinação desses elementos ampliou a exposição do senador e ofereceu à oposição munição política para tentar desgastar a imagem do atual presidente.
O movimento tem consequências práticas: a entrada de Michelle tende a reforçar a capacidade de mobilização do eleitorado identificado com o bolsonarismo, enquanto os episódios ligados ao entorno de Lula acendem sinal de alerta para a campanha petista. Para aliados de Flávio, a redução da diferença nos trackings cria espaço para intensificar a ofensiva eleitoral e disputar narrativas em setores indecisos.
Analistas consultados lembram, porém, que trackings são retratos temporários e não previsões definitivas. Ainda assim, o quadro exige reação do campo governista para conter o desgaste e reordenar prioridades eleitorais. Para o grupo de Flávio, o ganho recente representa uma oportunidade política — e um teste sobre a capacidade da campanha de transformar exposição em voto.