Um levantamento da startup Autoridades Brasil a pedido do Unicef revela que os direitos de crianças e adolescentes tiveram presença quase simbólica nas redes dos presidenciáveis nos primeiros 15 dias de campanha (16 a 30 de agosto de 2026). Entre 1.652 publicações monitoradas no Facebook, Instagram, YouTube e X, apenas 26 abordaram a infância — 1,6% do total. As menções se dividiram em violência e segurança pública (8), educação (5), proteção social (4), saúde (4) e citações genéricas (5).
A cobertura por candidato foi igualmente discreta. Proporcionalmente, Augusto Cury foi quem mais tratou do tema (6 de 169 posts, 4%), sempre com ênfase em educação e proteção social, mas sem detalhar medidas práticas. Flávio Bolsonaro citou crianças em 7 de 256 publicações (3%), focando em segurança e punição a abusadores. Lula abordou o tema em 4 de 368 posts (1,1%), sobretudo em ações de vacinação. Renan Santos foi o que menos mencionou o tema (2 de 399, 0,5%). Romeu Zema e Ronaldo Caiado dedicaram menções pontuais, sem planos robustos.
O Unicef reforçou que a eleição é momento para discutir soluções para problemas que afetam milhões de meninas e meninos — quase um quarto da população brasileira. Os números de 2025 acentuam a urgência: 2.079 mortes violentas de crianças e adolescentes, mais de 38 mil casos de maus-tratos (aumento de 106% em relação a 2024) e 61 mil estupros, majoritariamente cometidos em casa por alguém conhecido. Diante desse quadro, o fundo convidou candidatos a assumir compromissos concretos, como incluir a parentalidade protetiva em políticas de primeira infância e estabelecer uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes.
A escassez de propostas detalhadas nas plataformas digitais revela um risco político e prático: ao não expor soluções claras para prevenção e proteção, as campanhas deixam vulneráveis sem respostas estruturadas e abrem espaço para críticas de adversários, pressão da sociedade civil e desgaste entre eleitores sensíveis ao tema. Mais do que postagens simbólicas, especialistas e instituições esperam medidas que articulem segurança, saúde, educação e proteção social — componentes essenciais para reduzir custos humanos e fiscais no futuro.