A divulgação das relações do senador Flávio Bolsonaro com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, precipitou a primeira baixa na pré-campanha do parlamentar: Marcello Lopes anunciou sua saída da coordenação informal da comunicação. Lopes, amigo pessoal do candidato e dono da Cálix Propaganda, deixa o trabalho no momento em que áudios e encontros ligados ao caso passam a dominar a agenda política do PL.
No lugar de Lopes, entra Eduardo Fischer, publicitário de destaque no mercado — com múltiplos prêmios e campanhas históricas no currículo — convocado para uma missão clara: apagar o incêndio de imagem e profissionalizar a estrutura do comitê eleitoral. A troca foi articulada pelo coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho, que indicou Fischer para iniciar de imediato a transição.
Fontes internas relatavam descontentamento com o trabalho de Lopes, apontando improvisação e conflitos na operação que ainda não havia sido formalizada. A saída oficial foi justificada pelo próprio marqueteiro como necessidade de priorizar negócios e agenda familiar, enquanto a equipe de Flávio tenta conter os danos causados pela repercussão dos áudios em que o senador pede recursos a Vorcaro para financiar um filme em homenagem ao pai.
Politicamente, a mudança é um sinal de emergência: a crise já se reflete em medições de mercado e em percepção negativa no eleitorado, segundo assessores citados pela reportagem. A ofensiva de contenção com um nome técnico busca limitar a perda de capital político e reordenar a narrativa, mas não elimina o custo imediato à campanha do PL. Em Brasília, o escândalo também ofuscou a agenda de integrantes da direita que vinham à capital para a Marcha dos Prefeitos, ampliando o desgaste e levantando dúvidas sobre a capacidade do grupo de recuperar o terreno perdido até 2026.