Um monitoramento da Palver mostra que a crise no Supremo Tribunal Federal provocou circulação intensa nas redes sociais entre 8 e 16 de setembro, mas exerceu efeito limitado sobre a disputa presidencial. Apenas de 1% a 6% das publicações sobre o tema fazem referência direta ao voto, indicando que o episódio mobilizou atenção sem necessariamente converter-se em propaganda eleitoral ou mudança massiva de intenção de voto.
Entre os usuários que ligaram a crise ao pleito, a maioria preferiu reforçar uma escolha já tomada: entre 37% e 75% reafirmaram seu candidato nas diferentes plataformas. A parcela disposta a reavaliar o voto ficou entre 8% e 19%. Esses resultados convergem com pesquisa da Quaest que apontou 67% dos brasileiros dizendo não ser influenciados pela crise na hora de escolher o presidente, enquanto 22% afirmaram sentir sua opção reforçada e 7% admitem considerar troca.
O relatório da Palver também mapeou responsabilidade e desgaste: Alexandre de Moraes concentra a maior parte das acusações (62% a 68% das menções que apontam um culpado), seguido por André Mendonça (31% a 42%). Edson Fachin aparece como o mais poupado. O episódio do Banco Master e a ligação entre o financiamento do filme Dark Horse e a família Bolsonaro alimentaram críticas que atingem tanto integrantes do Judiciário quanto atores políticos ligados aos bolsonaristas.
Do ponto de vista político, os dados acendem alerta sobre custo institucional mais do que sobre custo eleitoral imediato. A crise amplia desgaste em torno de ministros e do próprio STF, complica a narrativa oficial de estabilidade e pode ser aproveitada por adversários e aliados desconfortáveis. Em suma: impacto direto nas intenções de voto é limitado, mas o episódio deixa marcas relevantes na arena institucional e no debate público.