O Conselho Superior do Ministério Público Federal vetou, por 5 a 4, a abertura de investigação contra o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, em apurações sobre suposta relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os conselheiros também decidiram, por unanimidade, que Gonet não será afastado das investigações relativas às fraudes no banco. A votação expôs uma divisão curta, mas relevante, entre os membros do conselho.

O relator, subprocurador Francisco Sanseverino, obteve a maioria ao sustentar que os indícios trazidos aos autos não comprovam uma relação direta ou íntima entre Gonet e Vorcaro. Sanseverino destacou que mensagens citadas mencionam o nome do PGR sem demonstrar comunicação direta e que não foram localizados contatos atribuíveis ao procurador no celular do dono do Master. Em seu entendimento, questões de impedimento ou suspeição deveriam ser decididas no próprio processo, eventualmente pelo Supremo Tribunal Federal. Celso de Albuquerque Silva, Alexandre Camanho de Assis, Nicolao Dino e Hindenburgo Chateaubriand acompanharam o relator.

A divergência foi liderada pela conselheira Janice Agostinho, que pediu a designação de um subprocurador para apurar preliminarmente as relações entre o PGR e o banqueiro. Janice foi acompanhada por Samantha Chantal Dobrowolski, José Adônis e Ana Borges Coelho. Entre os argumentos contrários ao arquivamento, esteve a crítica de que Gonet, ao solicitar a nulidade de relatório da Polícia Federal que mencionava contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, agiu como protagonista do próprio caso e deixou de se afastar — conduta que levou Ana Borges a evocar a possibilidade de prevaricação.

Além dos aspectos técnicos, a decisão tem efeito político e institucional. A derrota apertada e as acusações de postura inadequada elevam a percepção de conflito de interesses e podem complicar a narrativa oficial do PGR, acendendo alerta sobre a independência do cargo. A divisão no conselho reforça a necessidade de transparência e de caminhos processuais claros para resolver eventuais suspeições: não é apenas um debate jurídico, mas um teste à credibilidade do Ministério Público diante da opinião pública e dos atores políticos que acompanharão repercussões e possíveis recursos.