A Polícia Federal localizou mensagens trocadas entre Eduardo Cunha e a assessora Mariângela Fialek — conhecida como Tuca — que, segundo investigadores, indicam a atuação do ex-presidente da Câmara na destinação de emendas parlamentares a municípios de Minas Gerais. Em uma das passagens citadas pela PF, Cunha reclama: “Eu não aguento mais esses mineiros enrolados”, e pede a troca de uma emenda prevista para Governador Valadares por outra, citando dificuldades administrativas na cidade.

Os diálogos, classificados pelos investigadores como sintomáticos do “descontrole político” e da “desvinculação ao interesse público”, teriam sido coordenados por meio de um telefone registrado em nome da companheira de Cunha, Claudia Cordeiro Cruz. Com base nas conversas, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou o bloqueio de bens do ex-deputado até o limite de R$ 6 milhões — valor que a PF associa a 21 emendas ligadas ao chamado orçamento secreto.

Além da troca sobre Governador Valadares, a investigação traz menções a emenda destinada a Manhuaçu e cita parlamentares como Gilberto Abramo, Nikolas Ferreira, além de referências a Arthur Lira e Hugo Motta, indicadas nos diálogos como interlocutores de bastidor. A reportagem procurou prefeituras e os parlamentares mencionados, sem retorno até a publicação. A PF também aponta a existência de uma “cota informal de valores” para direcionamento conforme interesses políticos em Minas.

O conjunto de informações reforça um problema político e institucional: a atuação de ex-parlamentares fora de mandato na máquina de alocação de recursos e a expectativa de Cunha de disputar novamente cadeira por Minas. A medida cautelar do STF e as evidências reunidas aumentam a pressão por esclarecimentos públicos e podem complicar a narrativa de quem tenta reconstituir base eleitoral diante de questionamentos sobre transparência e vínculos políticos.