A defesa do ex‑deputado Eduardo Cunha reagiu neste domingo à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino que determinou o bloqueio patrimonial relacionado a emendas parlamentares. Em nota, os advogados afirmam que Cunha tomou conhecimento das medidas pela imprensa e que não foi previamente intimado, ouvido ou convidado a prestar esclarecimentos no inquérito.

Segundo a peça da defesa, Cunha não exerce mandato e, por isso, ‘‘não apresentou, subscreveu ou formalizou’’ quaisquer das emendas apontadas na investigação. O texto salienta ainda que os R$ 6,15 milhões referem‑se ao montante global das emendas destinadas a municípios e outros beneficiários públicos, e que a decisão não imputa ao ex‑parlamentar o recebimento de vantagem pessoal. A nota acrescenta que a Procuradoria‑Geral da República classificou o bloqueio como prematuro e que a defesa buscará acesso integral aos autos para exercer o contraditório.

O episódio expõe tensões institucionais: a ausência de intimação prévia levanta questões sobre garantias processuais, enquanto o desconforto público causado por medidas de alcance patrimonial em nome de ex‑autoridades intensifica o debate sobre proporcionalidade e transparência. A manifestação contrária da PGR também sinaliza falta de consenso entre órgãos responsáveis por investigar e prevenir irregularidades no uso de recursos públicos.

Politicamente, o caso alimenta narrativas opostas: críticos podem interpretar o bloqueio como ação necessária contra práticas de influência indevida; aliados e a própria defesa tendem a enquadrá‑lo como excesso institucional e seletividade. Resta ao STF e à PGR esclarecerem o contexto e os fundamentos da decisão para evitar que a disputa judicial se transforme em fator adicional de desgaste público e institucional.