O candidato Augusto Cury (Avante) decidiu aproveitar um meme surgido nas redes para ironizar as duas pontas do espectro eleitoral e reposicionar sua mensagem. Em entrevista a um podcast, ele reformulou a peça viral — que contrastava picanha e fuzil com o uso de Rivotril — e disse preferir um Brasil sem a medicação como símbolo de combate à dependência e à cultura da automedicação.
A adoção do meme coincide com um salto de visibilidade da campanha: o perfil do candidato no Instagram subiu de cerca de 8,4 milhões para 10,7 milhões de seguidores em uma semana, o podcast registrado teve por volta de 15,7 mil visualizações e a campanha informou ter gasto até R$ 50 mil em impulsionamento no Facebook. O episódio ilustra como narrativas simples e polêmicas podem converter engajamento digital em atenção política com custo relativamente baixo.
Além do efeito de alcance, a virada traz implicações substantivas. Cury ressaltou no programa que medicamentos devem ser prescritos por médicos e advertiu para risco de dependência — um ponto de saúde pública que evita transformar a frase em mero bordão. Ao mesmo tempo, a estratégia aposta em viralidade mais do que em programa detalhado, o que acende alerta sobre a sustentabilidade desse impulso caso não haja conteúdo consistente por trás do crescimento.
Na pesquisa Quaest divulgada após sabatinas, Cury aparece em terceiro lugar com 10% das intenções, atrás de Lula (37%) e do senador Flávio Bolsonaro (30%). O movimento viral sinaliza espaço para expansão eleitoral e pressiona tanto PT quanto PL a recalibrar discurso, mas o avanço ainda é pontual: confirmar tendência exigirá campanha estruturada, além de memes. A escolha por uma mensagem que mistura crítica cultural e tema de saúde pública complica a narrativa dos polos e convoca cobrança sobre substância e propostas.