O escritor e candidato Augusto Cury afirmou, em vídeo nas redes sociais, que a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após a derrota no segundo turno configura um 'abandono'. Usando a imagem do comandante que deixa o navio em meio à tempestade, Cury questionou a postura do senador derrotado e ressaltou que nem toda adversidade justifica a saída do comando.
Cury, que se elegeu em terceiro lugar no primeiro turno com 2,89% dos votos e havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro, usou a crítica para marcar distanciamento público diante do episódio. O comentário reaponta uma contradição entre o discurso de permanência no país e a decisão efetiva de viajar com a família na madrugada desta terça.
O deslocamento de Flávio para os EUA ocorre mesmo após ele ter afirmado que não deixaria o país e que entregaria os passaportes à Polícia Federal, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal. A saída pública reacende perguntas sobre coerência política e responsabilidade dos líderes que assumem compromissos em campanhas.
Para o cenário político, a declaração de Cury amplia o custo simbólico da fuga: além de expor descolamento entre palavra e ação, pressiona aliados que sustentaram o discurso de resistência e força um debate sobre as consequências institucionais e eleitorais de decisões tomadas após a derrota.