O debate promovido pela Band no domingo teve seu tom definido mais pelas ausências do que pelo conteúdo: sem Lula e sem Flávio Bolsonaro, o encontro entre candidatos menos conhecidos deveria servir para ganhar espaço. Em vez disso, terminou com um confronto direto entre Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), que tomou a frente das atenções ao ser alvo de críticas sobre o tom de sua intervenção.

O embate começou após críticas de Renan a Lula e ao eleitorado petista; Cury reagiu, apontando que o nível de agressividade do adversário supera o debate de ideias e prejudica a própria democracia. O psiquiatra pediu limites para a confrontação, argumentando que atacar a pessoa de forma desumanizante extrapola o âmbito eleitoral e diminui a legitimidade da disputa.

Além do episódio entre os dois, o evento expôs uma questão política mais ampla: debates sem os nomes mais competitivos perdem alcance, mas oferecem palco para postulantes menores fixarem narrativas agressivas. Essa dinâmica pode gerar visibilidade imediata, mas também risco de isolamento político, na medida em que ataques pessoais afastam eleitores moderados e reduzem o espaço para propostas concretas.

Do ponto de vista estratégico, a reação de Cury tenta se posicionar como apelo pela moderação, enquanto Renan reforça perfil combativo. Para o eleitor, o saldo é uma amostra da fragmentação do cenário: há disputas por atenção e por definição de limite entre crítica política e ofensa pessoal, e a ausência dos principais candidatos amplia a incerteza sobre o papel que esses debates têm na formação da opinião pública.