Em sabatina promovida pelo Correio Braziliense, o pré-candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, defendeu um programa de controle de gastos públicos que combine cortes, reforma administrativa e auditoria das despesas para enfrentar o déficit fiscal. O discurso prioriza a chamada responsabilidade fiscal como conditio sine qua non para recuperar a estabilidade macroeconômica.
Cury apontou preocupação com o peso do serviço da dívida nas contas públicas e relacionou o equilíbrio fiscal à possibilidade de reduzir a taxa básica de juros. Segundo o pré-candidato, os altos juros têm efeito asfixiante sobre comércio, indústria e agronegócio, e só a disciplina fiscal abriria espaço para uma Selic mais baixa sem comprometer o combate à inflação.
No entanto, o candidato evitou detalhar quais ministérios seriam extintos ou como ocorreria a reestruturação administrativa, afirmando que pretende dialogar com economistas antes de apresentar um projeto fechado. Prometeu, ainda, uma auditoria ampla nas contas públicas, sem antecipar cronograma nem metodologia — uma lacuna que tende a gerar questionamentos sobre viabilidade e impactos sociais das medidas propostas.
Politicamente, o discurso busca atrair eleitores preocupados com finanças públicas e se alinha ao centro-direita fiscalmente liberal. Ao mesmo tempo, a falta de especificidade pode abrir espaço para críticas de adversários e dúvidas entre eleitores que dependem de políticas sociais. A sabatina contou com o apoio de entidades de auditores fiscais e marca a primeira rodada de entrevistas com presidenciáveis, em um momento em que propostas de ajuste passam a ser testadas no debate público.