Durante o debate entre presidenciáveis promovido pela Band no domingo (23/8), o candidato Augusto Cury (Avante) criticou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que ele deveria participar para responder sobre o que chamou de 'caos' na educação. Participaram também Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).

Cury afirmou que o sistema educacional do país precisa de uma revolução e citou números preocupantes: segundo ele, 95% dos jovens não aprendem matemática ao terminar o ensino médio, uma deficiência que compromete o raciocínio lógico, a capacidade de gerir finanças pessoais e de debater ideias com propriedade. A declaração foi usada para cobrar explicações sobre políticas públicas na área.

O candidato atribuiu parte do problema a um modelo de ensino cartesiano e a uma 'intoxicação digital' que teria reduzido o apetite pelo conhecimento. Defendeu que o professor deixe de ser um expositor frio indicado pelo Ministério da Educação e passe a ser um provocador, capaz de estimular perguntas, o pensamento crítico e a participação em sala de aula. Também citou a existência de 32 milhões de pessoas neurodivergentes como sinal de falta de inclusão no ambiente escolar.

Politicamente, a ausência de Lula no debate deixou espaço para que a oposição enquadrasse o governo sobre resultados educacionais, transformando críticas pedagógicas em argumento eleitoral. Para o Planalto, as observações reforçam a necessidade de apresentar dados e justificativas que confrontem o diagnóstico apresentado por Cury e evitem que a disputa sobre educação vire linha central da campanha.