Augusto Cury, 67 anos, fez sua primeira sabatina coletiva na manhã de sexta-feira (28/8) — com O Globo, Valor e CBN — depois do primeiro debate presidencial. O candidato do Avante reaparecerá no Jornal Nacional neste sábado (29/8). Em vez de se posicionar na tradicional divisão esquerda-direita, Cury defende combinar medidas de mercado com políticas voltadas a vulneráveis.
Na sabatina e em entrevistas, o escritor e psiquiatra sustentou que quer um Estado mais enxuto e eficiente, que reduza entraves para quem pretende produzir, mas também políticas públicas de proteção social e educação de qualidade. Esse posicionamento, segundo ele, o afastaria tanto do presidente Lula quanto do grupo de Flávio Bolsonaro, numa tentativa explícita de encarnar uma terceira via.
Sobre o episódio de 8 de janeiro, porém, Cury adotou postura cautelosa: disse que montaria um colegiado de juristas, nacionais e estrangeiros, para reavaliar condenações que considerou desproporcionais, mas evitou afirmar se concederia anistia a condenados. Ao mesmo tempo, afirmou que eventuais tentativas de golpe não deveriam ser beneficiadas, e pediu para não ser colocado no centro da polarização política.
Politicamente, a estratégia tem ganhos e riscos claros. A combinação de liberalismo econômico com pautas sociais pode atrair eleitores moderados descontentes com a polarização, mas a ambiguidade sobre temas sensíveis — como a anistia — abre espaço para ataques dos extremos e dificulta a formação de uma base consolidada. Para transformar visibilidade em viabilidade eleitoral, Cury precisará traduzir o discurso em propostas claras e enfrentar o custo político da indefinição.