Em sabatina promovida pelo Correio Braziliense, o pré-candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, defendeu que as redes sociais sejam responsabilizadas quando houver relação comprovada entre o uso das plataformas e casos graves de dano à saúde mental, como suicídio, automutilação e dependência. O evento ocorreu no auditório da sede do jornal e teve transmissão ao vivo.

Cury alertou para mudanças no comportamento de crianças e adolescentes provocadas pelo ambiente digital e comparou a dependência das plataformas a uma droga de ampla circulação, capaz de gerar sintomas de abstinência em poucas horas sem acesso. Argumentou, ainda, que, comprovada a relação causal, as empresas deveriam ser sujeitas a sanções financeiras mais severas.

A proposta coloca sobre a mesa um tema que promete movimentar o debate público e legislativo: como conciliar proteção da saúde mental com liberdade de expressão e inovação tecnológica. A exigência de 'relação comprovada' entre uso e dano levanta questões práticas sobre provas científicas, responsabilidade civil e o papel regulatório do Estado.

Politicamente, o discurso de Cury acende alerta e pode ampliar pressão sobre Congresso e órgãos reguladores para definir critérios e mecanismos de fiscalização. Para as plataformas, a perspectiva de multas e ações judiciais dificulta previsibilidade jurídica e amplia o custo reputacional e financeiro, mesmo sem detalhes sobre como cumprir ou aplicar eventuais penalidades.

A intervenção do candidato insere a pauta da dependência digital na agenda eleitoral de 2026, obrigando adversários e formadores de políticas a posicionamentos mais claros. Resta, porém, saber como transformar a retórica em propostas legislativas viáveis e como aferir, juridicamente, a linha entre uso problemático e responsabilidade direta das empresas.