A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) agendou para 8 de setembro o julgamento principal que apura supostas fraudes na emissão de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty, envolvendo o Banco Master e membros da família Vorcaro. O processo tramita na autarquia desde 2020 e relaciona 19 investigados, entre eles Daniel, Henrique e Felipe Vorcaro.
O caso acumula anos de atraso e sucessivos pedidos de vista que impediram uma decisão rápida. Em 2022 houve tentativa de acordo por meio de Termo de Compromisso, com oferta de multa para evitar condenação, mas o tema foi retirado de pauta. Em 2025 o relator Otto Lobo pediu vista; no julgamento iniciado em maio, dois diretores votaram pela rejeição do acordo — João Pedro Nascimento e Marina Copola — quando o diretor João Accioly solicitou novo pedido de vista. Em 2 de dezembro do ano passado o Termo de Compromisso foi rejeitado, após a liquidação do Master.
O processo ganha contornos maiores por causa da tentativa de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), negócio que teve aval local, mas foi barrado pelo Banco Central. A posterior Operação Compliance Zero da Polícia Federal revelou que o BRB comprou bilhões em títulos deteriorados do Master e expôs um emaranhado de ilícitos, o que terminou em investigação criminal e na liquidação do banco. O episódio elevou o custo reputacional para instituições envolvidas e acendeu debates sobre fiscalização e supervisão de mercados.
O agendamento para setembro encerra uma etapa de idas e vindas na CVM, mas não garante desfecho definitivo: o julgamento será um retrato do momento e pode significar responsabilização administrativa ou deixar perguntas sem resposta. Para o mercado e para a política, a decisão terá efeitos práticos — desde a definição de culpabilidade administrativa até o custo político e regulatório para atores que haviam apostado numa solução negociada.