A corrida para regularizar o título às vésperas das eleições demonstra que a biometria deixou de ser experimento técnico para virar peça central do processo eleitoral brasileiro. A identificação por digitais mudou práticas antigas — do uso do título de papel à checagem imediata do eleitor na seção — e passou a ser argumento técnico e político sobre a integridade do voto.
O sistema, implantado gradualmente pelo Tribunal Superior Eleitoral ao longo de mais de uma década, teve início como projeto-piloto em 2008 nos municípios de São João Batista (SC), Fátima do Sul (MS) e Colorado do Oeste (RO). O cadastro biométrico reúne impressões de todos os dedos, fotografia e assinatura digitalizada, criando um arquivo que a urna consulta em tempo real: o eleitor posiciona o dedo no leitor, o sistema verifica a identidade e libera o voto.
O efeito prático é concreto: a biometria reduziu a possibilidade de uso de documentos falsos ou de votos atribuídos a eleitores falecidos e também viabilizou recursos digitais como o e‑Título, que exibe fotografia para quem tem cadastro biométrico. Hoje são cerca de 135 milhões de eleitores registrados, equivalente a aproximadamente 87% do eleitorado — o que deixa um contingente não biometrizado a ser alcançado nas próximas etapas.
Ao mesmo tempo em que amplia segurança e transparência, a biometria coloca desafios operacionais e de inclusão. Leituras não reconhecidas exigem procedimentos manuais para não impedir o voto; equipamentos, logística de manutenção e atualização de bases dependem de investimentos contínuos; e há custo político se falhas técnicas afetarem seções em dia de votação. A tecnologia fortalece a credibilidade, mas também impõe responsabilidades às autoridades eleitorais para garantir acesso e eficiência. A reportagem contou com auxílio de ferramenta de IA sob supervisão editorial humana.