O pré-candidato Cabo Daciolo (Mobiliza) publicou nas redes sociais, nesta terça-feira (21/4), um vídeo em que defende prisão perpétua para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o pré-candidato Flávio Bolsonaro. Citando passagens bíblicas e a crucificação de Cristo, afirmou preferir mantê‑los vivos para que se arrependam.

Ao mesmo tempo, Daciolo disse ser contrário à pena de morte, argumentando que a medida atingiria de forma desproporcional a população negra. Ele também ressaltou que uma parcela expressiva do sistema prisional brasileiro responde a pessoas que ainda não foram julgadas e usou esse dado para criticar o funcionamento da Justiça criminal.

O pré-candidato evocou a Inconfidência Mineira ao afirmar que o Brasil segue em condição de dependência, agora associada a Estados Unidos e China. Daciolo atribuiu a Bolsonaro a entrega de refinarias e a Lula a suposta entrega de terras raras — referência ao acordo Brasil‑Espanha anunciado em 17/4 para cooperação na cadeia desses minerais. Na ocasião, o governo afirmou que o país manterá o controle sobre seus recursos minerais.

As declarações mesclam retórica religiosa e crítica geopolítica e acendem alerta sobre os limites do discurso de campanha. Em um ambiente eleitoral já polarizado, esse tipo de posicionamento tende a reforçar a imagem radical do pré-candidato, reduzir seu apelo a eleitores moderados e atrair críticas de defensores de direitos humanos, além de movimentar a pauta midiática nas próximas semanas.