Cotada nos bastidores para assumir a relatoria do PL 1838/2026 — que regulamenta o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal — a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) disse ao Correio que ainda não recebeu convite formal do Planalto ou da presidência da Câmara. O nome da parlamentar passou a circular por sua atuação em pautas trabalhistas: ela é autora do PL 67/2025, que trata da jornada de 40 horas e dois dias de descanso.
Daiana afirmou ter disposição para conduzir o texto e negociar com diferentes setores, mas ressaltou que a construção exige diálogo com centrais sindicais, empresários e lideranças partidárias. Ela também distinguiu a PEC 221/2019 — mudança constitucional — do projeto enviado pelo Executivo: a PEC precisa de quórum qualificado e, na avaliação pública da deputada, reúne hoje ambiente favorável na comissão especial e no plenário, com possibilidade de votação acima de 400 votos.
A circulação do seu nome foi descrita por interlocutores como forma de ampliar a participação do governo federal nas negociações. O presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT-SP), afirmou que eventual mudança na relatoria dependerá do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em articulação com o Planalto. Se confirmada, a alteração transferiria protagonismo para a coordenação política do governo e mudaria o ritmo das negociações, aumentando pressão sobre líderes e sobre setores empresariais que já manifestam dúvidas sobre os custos e impactos da medida.
O relator atual, Léo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar parecer na próxima quarta-feira (20). A disputa por quem conduzirá o relatório revela o valor político da proposta: além de alterar regras trabalhistas, a pauta tem potencial de mobilizar sindicatos e parte do eleitorado. Em um Congresso sensível a sinais de costura entre Executivo e Câmara, a decisão sobre a relatoria será também teste para a capacidade do governo de articular uma maioria sem abrir mão de garantias trabalhistas, como defende a própria deputada.