A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) comunicou que deixará a equipe de apoio ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi anunciada em entrevista ao jornal O Globo e ocorre em meio à repercussão da carta assinada por Jair Bolsonaro no último sábado (10/7), em que o ex-presidente pediu união da base em torno do filho.
A saída se dá em contexto de tensão familiar e política: a ruptura pública entre Michelle Bolsonaro e seu enteado Flávio — ligada à formação do palanque do PL no Ceará, onde a legenda apoia o pré-candidato Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual — ampliou a sensação de desarranjo interno. Damares relatou ter sido alvo de ataques nas redes sociais, alguns vindos de aliados de Jair Bolsonaro; o empresário bolsonarista Paulo Figueiredo chegou a chamá-la de “militante feminista”.
O Republicanos publicou nota formal negando que vá apoiar a candidatura de Flávio e refutando a versão de que teria negociado a indicação do presidente do partido, Marcos Pereira, para uma vaga no STF em um eventual governo do senador. O comunicado afirma ainda que o último encontro entre Pereira e Flávio ocorreu há mais de um mês e lembra que a decisão final será tomada em convenção nacional, no período entre 20 de julho e 5 de agosto.
Politicamente, a saída de Damares tende a acentuar a percepção de desunião na base bolsonarista e a complicar a elaboração do plano de gestão de Flávio, já fragilizada por denúncias e dissidências. O episódio amplia desgaste e deixa claro que a campanha enfrentará custo político e dificuldade de articulação, pressionando por uma resposta pública que permita recompor alianças e conter a narrativa de isolamento.