Em entrevista ao Correio Braziliense, a senadora Damares Alves (Republicanos‑DF) voltou a colocar Michelle Bolsonaro no centro das articulações da direita para 2026. Damares classificou como estratégicos os ataques recentes contra a ex‑primeira‑dama, que, na avaliação da senadora, têm o objetivo explícito de reduzir seu capital político e frear sua capacidade de mobilização popular. As declarações foram dadas em meio ao episódio em que Michelle disse ter sido “humilhada” por Flávio Bolsonaro, crise que reduziu sua exposição pública nas últimas semanas.
O cenário citado por Damares encontra sustentação em levantamento do instituto Meio/Ideia que apontou Michelle como a mulher mais poderosa do país na avaliação espontânea de 15,4% dos entrevistados. Para a senadora, esses números demonstram viabilidade eleitoral: ela destacou carisma, repertório de pautas e apelo social como trunfos que colocariam Michelle entre os nomes relevantes do campo conservador. Damares também afirmou trabalhar pessoalmente para convencê‑la a disputar um cargo majoritário, inclusive com vista a uma candidatura ao Senado ou a outra vaga expressiva.
A defesa pública de Michelle por parte de Damares expõe, porém, risco e oportunidade simultâneos para a direita. Ao mesmo tempo em que reforça o capital simbólico da ex‑primeira‑dama, o episódio revela fissuras internas — e acende um alerta sobre a capacidade do grupo de transformar visibilidade em estrutura partidária e alianças. A divulgação do vídeo e as trocas de acusações entre integrantes do mesmo núcleo político ampliam o desgaste diante do eleitor conservador e dificultam a construção de uma narrativa unitária rumo a 2026.
Na prática, a movimentação de Damares sinaliza que lideranças do campo tentam preservar e explorar um capital político feminino que ainda mobiliza parcela significativa do eleitorado. Resta saber se essa articulação conseguirá se traduzir em estratégia eleitoral coesa, ou se a disputa interna e o ruído provocados pelas denúncias e versões diversas vão fragmentar apoio, obrigando ajustes táticos e pressões sobre aliados já sob tensão.