A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em articulação com a deputada Coronel Fernanda (PL-MT), iniciou coleta de assinaturas para um requerimento de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a apurar supostas práticas de tráfico de influência, corrupção, favorecimento e uso da máquina pública em benefício privado envolvendo Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ambos já são alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal relacionados à Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em benefícios do INSS entre 2019 e 2024.
As investigações apontam repasses financeiros atribuídos a Luchsinger e a atuação do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como 'Careca do INSS'. Em entrevista à imprensa, a lobista afirmou ter apresentado o filho do presidente ao lobista e indicou disposição para colaborar formalmente com as apurações por meio de delação, ao mesmo tempo em que fez críticas diretas ao presidente e a seu círculo. A movimentação parlamentar parte desses elementos e busca transformar indícios levantados na esfera judicial em investigação com poderes de convocação e requisição de documentos.
Para instalar a CPMI são necessárias ao menos 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado, requisito que coloca a iniciativa no campo político do Congresso: se alcançada, a comissão pode ampliar o escrutínio público e jurídico sobre o caso e também elevar o custo político para o Planalto. Deputados e senadores terão que decidir se acompanham a demanda, ponderando entre o risco de politizar uma investigação em curso no STF e a pressão por respostas que a opinião pública e opositores cobram.
A articulação de Damares e aliados acende alerta para o governo: além de reforçar desgaste direto sobre a imagem do presidente e do entorno, a CPMI, caso avance, obrigaria o Executivo a dar respostas técnicas e políticas mais claras sobre controles no INSS e sobre relações pessoais que transitam entre setor público e interesses privados. O desfecho dependerá tanto da capacidade de coleta de assinaturas quanto da reação do Congresso e do Palácio do Planalto, enquanto os inquéritos no STF continuam em andamento.