A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) cobrou publicamente, durante pausa de audiência na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, a renúncia do ministro Alexandre de Moraes ao cargo enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) analisava a Petição 16.662. A CDH realizava uma audiência — requerida por Alessandro Vieira (MDB-SE) — para acompanhar os desdobramentos do julgamento que envolve documentos apreendidos pela Polícia Federal e a suposta relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
Segundo Damares, cerca de 15 parlamentares já haviam participado da sessão da CDH, que foi pensada como forma do Congresso “acompanhar” o julgamento e abrir espaço para manifestações sobre os possíveis impactos institucionais. A audiência foi suspensa durante o intervalo no STF e ficou prevista para retomar após o encerramento do julgamento ou às 18h, caso a Corte ainda estivesse em atividade.
A senadora afirmou que, se Moraes não renunciasse, deveria haver investigação sobre as suspeitas levantadas no debate — entre elas questionamentos sobre contrato envolvendo a esposa do ministro, uso de avião ligado a Vorcaro e troca de mensagens entre as partes, inclusive no período em que o banqueiro esteve preso. Damares também disse que o ministro teria a oportunidade de apresentar defesa e assumiu que pediria desculpas caso a apuração demonstrasse sua inocência.
O episódio transforma-se em um sinal político direto: a iniciativa da CDH e a cobrança pública de uma senadora governista ou aliada ampliam a pressão sobre Moraes e levantam dúvidas sobre o ritmo e a condução da investigação. A mobilização parlamentar, ainda que legítima do ponto de vista da fiscalização, tende a acender alerta sobre o nível de politicização do caso e pode ampliar desgaste institucional entre Congresso e STF. Para além do destino pessoal do ministro, a disputa expõe risco de escalada na narrativa pública e exige que qualquer desdobramento venha acompanhado de prova robusta — caso contrário, a ação pode reforçar a percepção de crise institucional num momento em que, nos termos usados por Damares, o país busca retomar a “festa da democracia”.