A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) usou o plenário do Senado para negar qualquer racha em relação à pré-campanha de Flávio Bolsonaro e reafirmar: "O Flávio Bolsonaro ainda é o meu pré-candidato". Segundo ela, a sua participação técnica na elaboração do plano de governo foi concluída e as contribuições nas áreas de direitos humanos e assistência social já foram entregues à equipe do pré-candidato.

Damares voltou a criticar publicamente os ataques promovidos por setores da própria direita. A parlamentar lembrou que chegou a anunciar um distanciamento dos trabalhos após críticas recebidas, mas agora apela para uma trégua: pediu que militantes e lideranças interrompam disputas internas que, na avaliação dela, drenam energia política do campo conservador. Sem citar nomes, questionou também se há interesses financeiros por trás das campanhas de desgaste.

O pronunciamento tem efeitos políticos práticos. Ao expor as tensões e levantar dúvidas sobre quem financia ataques, Damares acende alerta para a coesão do bloco bolsonarista: debates públicos entre aliados podem ampliar desgaste, complicar a narrativa oficial e dar munição à oposição. A defesa explícita de Michelle Bolsonaro e a reafirmação de fidelidade às orientações de Jair Bolsonaro reforçam a tentativa de costurar a base, mas não apagam a visibilidade do conflito.

No curto prazo, a declaração tenta conter a contaminação da pré-campanha por disputas internas e preservar a imagem de unidade em torno do nome indicado pelo ex-presidente. Politicamente, porém, o episódio deixa claro que a disputa por espaço e influência no campo conservador segue sendo uma fonte potencial de desgaste — e que reverter esse quadro exigirá gestão firme da comunicação e dos atores envolvidos.