O ex-lateral Daniel Alves declarou nas redes sociais, nesta segunda-feira (5/10), apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), justificando a posição com referências religiosas e afirmando que foi inspirado pelo Espírito Santo. A manifestação do ex-jogador — já identificado publicamente com atos em igrejas evangélicas — mistura fé e política em um momento em que a campanha de Flávio disputa voto a voto a Presidência com Lula.
Politicamente, o gesto tem alcance direto: Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo os números oficiais. Um endosso como o de Daniel Alves pode reforçar a conexão do candidato com parcelas conservadoras e evangélicas do eleitorado, um segmento que costuma responder bem a mensagens religiosas e a lideranças públicas que as articulam.
Ao mesmo tempo, a adesão não é isenta de custo simbólico. Em 2024 Daniel Alves foi condenado na Espanha por agressão sexual — pena de quatro anos e meio — e posteriormente absolvido em recurso por insuficiência de provas, após 14 meses preso. A trajetória judicial e a visibilidade do caso tornam a figura do ex-atleta potencial alvo de críticas e poderão ser exploradas por adversários para questionar o contraste entre a retórica religiosa e os episódios pessoais que marcaram sua vida pública.
Para a campanha de Flávio, a declaração é duplamente útil e arriscada: útil na tentativa de consolidar apoio entre evangélicos e setores conservadores; arriscada por atrair atenção midiática sobre o mensageiro, não apenas sobre o mensurado. Em campanha apertada, gestos simbólicos têm impacto real, mas também podem gerar ruído que exige resposta estratégica — seja para capitalizar a adesão, seja para desviar foco de controvérsias.