A Polícia Federal reagendou para 30 de setembro, em Brasília, os depoimentos de Daniel Vorcaro e do pai, Henrique Vorcaro. As oitivas foram marcadas para as 14h e 16h, respectivamente, após terem sido adiadas na semana passada por pedidos das defesas. Daniel permanece detido no 19º Batalhão da PM, anexo ao Complexo da Papuda; Henrique também está preso no âmbito das investigações.
A nova convocação ocorre em uma fase que a apuração descreve como de aprofundamento: a PF pretende confrontar provas já obtidas, esclarecer nomes, datas e a relação entre diferentes núcleos ligados ao ex-controlador do Banco Master. Investigações apontam ainda para suposto envolvimento de atores associados a práticas de intimidação e violência. No início de setembro, Daniel prestou depoimento reservado ao ministro André Mendonça, no STF, sem a presença de agentes da PF; o teor daquela oitiva segue sob sigilo. Em manifestações ao tribunal, Vorcaro afirmou ter sofrido ameaças e pressões para não firmar colaboração premiada, e declarou que a apuração relacionada ao Banco Master e ao BRB alcançaria pessoas em vários níveis.
Do ponto de vista político e institucional, a retomada das oitivas em Brasília amplia o foco sobre o caso e pode complicar possibilidades de acordo: a busca por elementos que fechem linhas de prova tende a aumentar a pressão sobre integrantes do grupo e sobre instituições que eventualmente aparecem nas investigações. Há também tensão sobre a segurança de depoentes e sobre procedimentos adotados quando partes prestam declarações em gabinetes do STF. Em curto prazo, a movimentação fortalece o escrutínio público e judicial sobre o caso e eleva o custo político para personagens que venham a ser referenciados nas próximas etapas.