Relatório interno do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated/SP), de dezembro de 2025, reuniu 15 ocorrências formais de trabalhadores nas gravações do longa Dark Horse em São Paulo. As denúncias, reportadas pelo G1 e pelo Intercept Brasil, incluem oferta de comida estragada, jornadas superiores a oito horas sem alimentação adequada, pagamentos atrasados e abaixo do mercado, além de contratação informal e recebimentos em dinheiro sem nota fiscal.

O documento descreve ainda práticas de tratamento diferenciado entre equipe nacional e estrangeira, cobrança de R$ 10 de deslocamento a alguns figurantes — por vezes descontados do cachê — e uma série de relatos sobre revistas invasivas na entrada das locações, com toques em partes íntimas de figurantes. Há registro de agressão física em set, com boletim de ocorrência e intenção de realização de exame de corpo de delito, segundo o relatório.

Para além das irregularidades trabalhistas, o Intercept apurou que a produtora GO UP Entertainment não teria enviado à Ancine a documentação exigida pela instrução normativa nº 79/2008 para obras audiovisuais estrangeiras gravadas no Brasil. A Ancine confirmou ao veículo que não recebeu comunicação nem autorizou o trabalho dos estrangeiros, o que impede a formalização de passaportes de trabalho e expõe fragilidades de compliance e fiscalização na produção.

As revelações também reacenderam o foco político e financeiro sobre o filme. Um áudio divulgado mostra o senador Flávio Bolsonaro cobrando de Daniel Vorcaro a liberação de recursos prometidos para bancar o longa — cerca de R$ 134 milhões, segundo o conteúdo — e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro afirmou nas redes sociais que havia outros financiadores. Com isso, o financiamento de Vorcaro e as emendas destinadas ao projeto passaram a ser alvo de atenção da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.

O conjunto de denúncias soma impacto jurídico e reputacional: agrava o desgaste em torno dos envolvidos, levanta dúvidas sobre a lisura de contratos e pagamentos e eleva a pressão por esclarecimentos da Ancine e dos produtores. O Correio Braziliense procurou a Ancine e a GO UP Entertainment; até a publicação não houve resposta. Deputado Mário Frias, associado ao projeto, também não comentou as acusações.