As investigações que envolvem o contrato para instalação de Wi‑Fi nas periferias de São Paulo ganharam um novo fio condutor com potencial de repercussão política: R$ 12 milhões do acordo principal teriam sido repassados à Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., de propriedade de Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido nas apurações como “Escorpião do PCC”. A empresa é subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama — que também figura como sócia da Go Up Entertainment, produtora responsável pela cinebiografia Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Auditoria e investigação policial apontam superfaturamento de até 230% no contrato que previa 5 mil pontos de conexão: valores alvo da discrepância incluem cobrança de R$ 1.800 por ponto ao ICB contra R$ 306 mensais praticados pela estatal Prodam. Das 5 mil antenas previstas, apenas 3,2 mil teriam sido instaladas. Em episódio apontado pela polícia, a prefeitura pagou R$ 2,7 milhões por manutenção de 128 pontos contratados por 12 meses, serviço que, segundo os investigadores, durou apenas dois meses — custo real estimado em R$ 273 mil.
Além do potencial desvio de recursos, que tem como hipótese de trabalho o direcionamento de parte dos valores para custeio da produção de Dark Horse, o caso levanta problemas de controle e governança: o sócio receptor dos repasses é investigado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante do Primeiro Comando da Capital, tem mais de 60 processos e antecedentes criminais, cumpriu 13 anos de pena e responde agora por feminicídio, em prisão preventiva. Investigações apontam ainda tentativas de ocultar sua participação societária em contratos iniciais.
O enquadramento jornalístico dos fatos evidencia consequências concretas: além do potencial prejuízo financeiro ao erário paulistano, a ligação entre fornecedores e uma pessoa com histórico criminal e suspeita de integração a facção impõe risco reputacional ao ICB e pressão política sobre quem autorizou e fiscalizou o contrato. Há espaço para cobrança pública por esclarecimentos da presidência do instituto, da produtora envolvida e da gestão municipal sobre critérios de seleção, fiscalização e eventual responsabilização administrativa e penal dos envolvidos.