Quase metade do eleitorado brasileiro (46%) diz estar mais preocupada com o resultado da eleição presidencial deste ano do que estava em 2022, segundo levantamento do Datafolha. O instituto ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades entre 1º e 2 de setembro; a pesquisa está registrada no TSE sob o código BR-03669/2026 e tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Outros 28% afirmam manter o mesmo grau de preocupação e 24% dizem estar menos preocupados.

O recorte por intenção de voto revela assimetrias políticas relevantes. Eleitores que declaram voto em Flávio Bolsonaro (PL) registram 63% mais preocupados — índice em torno do apurado também entre fiéis a candidatos como Renan Santos (59%), Ronaldo Caiado (56%), Augusto Cury (55%) e Romeu Zema (52%). Já entre os que dizem votar em Luiz Inácio Lula da Silva, apenas 30% relatam aumento de preocupação, enquanto 35% mantêm o mesmo nível e 33% dizem estar menos preocupados. Esses padrões indicam maior aflição na base oposicionista e uma relativa estabilidade emocional entre os apoiadores do atual presidente.

O Datafolha também aponta uma subida na determinação de votar: 57% dos entrevistados afirmam estar mais decididos a votar do que em 2022, contra 32% igualmente decididos e 11% menos decididos. Nos recortes, eleitores de Flávio e de Lula aparecem tecnicamente empatados — 68% e 61% mais decididos, respectivamente — mas cabe atenção à margem de erro maior desses subgrupos (cerca de quatro pontos). Sobre disposição de fazer campanha, 32% dizem estar menos engajados, 45% mantêm o mesmo nível e 18% estão mais engajados; entre eleitores de Flávio e Lula, o engajamento efetivamente oscila, sem diferença ampla e consolidada.

Do ponto de vista político, o levantamento envia sinais claros: há aumento da tensão entre parcelas expressivas do eleitorado e maior propensão ao voto expressa por mais da metade dos entrevistados, o que tende a elevar a imprevisibilidade do pleito. Para o governo, a combinação de uma base menos apreensiva e de alta decisão entre eleitores de oposição pode traduzir-se em pressões políticas crescentes e necessidade de ajustar narrativa e agenda. Para a oposição, os números apontam oportunidade de capitalizar mobilização — mas também expõem que a disputa seguirá acirrada e dependente de mobilização e mensagens eficientes. Interpretações devem, contudo, considerar limites amostrais dos recortes e tratar a pesquisa como retrato do momento, não como previsão definitiva.