Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado, revela que 47% dos brasileiros avaliam de forma negativa o trabalho do Supremo Tribunal Federal (STF) — o pior índice desde 2019. Apenas 18% consideram a atuação dos ministros positiva; 31% a veem como regular e 4% não responderam. O número coloca em evidência uma perda de prestígio que, mais do que um indicador de opinião, tem consequências políticas e institucionais.
O levantamento expõe a polarização que cerca a Corte. Entre eleitores do presidente Lula, 32% avaliam o STF como ótimo ou bom; entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), esse percentual cai para 6%. No lado oposto, 69% dos eleitores de Flávio consideram a atuação do tribunal ruim ou péssima, contra 24% dos eleitores de Lula. Esses contrastes mostram que a avaliação da Corte está fortemente marcada pelo viés eleitoral, o que amplia o risco de instrumentalização política das críticas.
A pesquisa também perguntou sobre o efeito do trabalho do STF na disputa eleitoral: 33% dos entrevistados disseram que a atuação da Corte prejudica mais a candidatura de Flávio Bolsonaro; 23% apontaram prejuízo maior para o candidatodo PT. Esse dado sugere que decisões e discursos envolvendo ministros são lidos pelo eleitorado como fatores com impacto direto nas campanhas — cenário que complica a narrativa oficial de imparcialidade e torna a Corte alvo de disputas simbólicas e práticas.
A proposta do presidente do STF, ministro Edson Fachin, para criar um Código de Ética e Conduta teve resposta favorável de 45% dos entrevistados, contra 33% contrários. O apoio à iniciativa indica demanda por mecanismos de responsabilização, mas não elimina a tensão: medidas internas podem ser interpretadas ora como necessária transparência, ora como tentativa de contenção de desgaste. Em qualquer hipótese, a leitura pública dos passos da Corte terá efeito político imediato.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores entre 22 e 23 de setembro; margem de erro de 2 pontos percentuais e registro no TSE BR-00304/2026. Em termos práticos, os números acendem um sinal para o STF e para o sistema político: a queda na confiança exige ação orientada à transparência e à comunicação institucional, sob o risco de ampliar a pressão do Congresso, reforçar narrativas anti‑judiciárias e corroer ainda mais a autoridade da Corte diante da opinião pública.