A nova pesquisa Datafolha, realizada entre 20 e 21 de maio e divulgada nesta sexta-feira (22/5), revela que 64% dos entrevistados afirmam ter ouvido falar do episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o projeto Dark Horse — e o mesmo percentual considera que ele agiu de maneira errada. O caso ganhou repercussão após reportagem que diz ter identificado pedido de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Os números têm efeito imediato no tabuleiro eleitoral. No cenário de primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a vantagem sobre Flávio de três para nove pontos — 40% a 31% — e no segundo turno o empate técnico anterior (45% a 45%) cedeu espaço para 47% a 43% favoráveis a Lula. Na urna espontânea, Flávio permanece como o principal nome da oposição, com 17%, atrás de Lula (28%), mas a pesquisa sinaliza perda de fôlego.

A avaliação negativa se reflete também na rejeição: 46% dos entrevistados disseram que não votariam em Flávio “de jeito nenhum”, ante 45% para Lula. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios e foi registrado no TSE (BR-07489/2026). Desde a divulgação do caso, o senador mudou versões — primeiro classificou a reportagem como “fake news” e depois admitiu ter pedido recursos — o que, na leitura política, amplia o desgaste e complica a narrativa da oposição.

Sob o viés político, a pesquisa acende alerta para a cúpula oposicionista: o efeito reputacional tende a exigir reação estratégica para evitar contaminação mais ampla da campanha e perda de alianças. Para o eleitorado, o episódio funciona como indicador de risco reputacional e alimenta dúvidas sobre coerência e transparência, fatores que podem pesar na construção de candidaturas e na capacidade de enfrentar o projeto governista nas próximas eleições.