A mais recente pesquisa Datafolha, aplicada nos dias 20 e 21 de maio com 2.004 pessoas em 139 municípios (registro TSE BR-07489/2026; margem de erro de dois pontos), mostra que a diferença entre a avaliação negativa e a positiva do governo de Luiz Inácio Lula da Silva encolheu nas últimas semanas. Hoje, 38% dos entrevistados consideram a administração ruim ou péssima, enquanto 32% a avaliam como ótima ou boa; 28% a classificam como regular e 1% não soube responder. A distância entre os índices caiu de 11 pontos em abril para 6 pontos agora.

No campo da avaliação pessoal, o presidente aparece em empate técnico: 48% aprovam sua atuação e 48% desaprovam — uma recuperação em relação à rodada anterior, quando a desaprovação era de 51% e a aprovação de 45%. O instituto lembra que o pior momento do mandato, segundo seus levantamentos, foi em fevereiro de 2025, quando a aprovação chegou a 24% e a reprovação a 41%. O dado atual indica recuperação, mas ainda mantém a avaliação negativa como o sentimento dominante isoladamente.

Em cenários eleitorais, o levantamento testa um embate entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): no primeiro turno o petista aparece com 40% ante 31% do senador; em um eventual segundo turno, Lula teria 47% contra 43% de Flávio. A pesquisa foi a primeira rodada após reportagem do Intercept Brasil sobre um pedido de recursos feito pelo senador a Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia “Dark Horse”; entre entrevistados que disseram conhecer o caso, 64% avaliaram negativamente a atitude do parlamentar.

O recuo da diferença entre avaliações alivia parcialmente a pressão política sobre o Executivo, mas não elimina riscos: a prevalência da visão negativa, a alta parcela que classifica o governo como regular e o empate na aprovação pessoal mostram um quadro ainda frágil e suscetível a oscilações. Para o governo, a margem de melhora precisa se traduzir em resultados concretos e percebidos — especialmente em áreas sensíveis à opinião pública — se a intenção é consolidar vantagem rumo a 2026. Para a oposição, os números apontam espaço para atacar incoerências e explorar crises de narrativa, mas também sinalizam que derrotas eleitorais não estão garantidas nem decididas; o levantamento é um retrato do momento, não uma previsão.